O governo federal vai propor o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina.
A medida eleva o percentual dos atuais 30% para 32%.
A proposta será enviada para análise do Conselho Nacional de Política Energética.
O envio deve ocorrer nos próximos 15 dias.
O anúncio foi feito pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
A decisão foi discutida em reunião no Palácio do Planalto.
Participaram do encontro o presidente Lula, integrantes da área econômica e representantes do setor de etanol.
Segundo o governo, a mudança tem como objetivo reduzir a dependência da importação de gasolina.
A estimativa é que o Brasil deixe de importar cerca de 450 milhões de litros do combustível.
A ampliação da mistura está prevista na Lei do Combustível do Futuro.
O governo argumenta que a medida pode ajudar a diminuir impactos da alta do petróleo no mercado internacional.
A preocupação aumentou diante dos reflexos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis.
Em junho do ano passado, a mistura de etanol na gasolina já havia passado de 27% para 30%.
Na mesma ocasião, o biodiesel no diesel comum subiu de 14% para 15%.
Desta vez, a proposta anunciada pelo governo não inclui nova alteração no diesel.
A elevação para 32% ainda depende de avaliação técnica e aprovação do Conselho Nacional de Política Energética.
Caso seja aprovada, a nova gasolina vendida nos postos terá praticamente um terço de etanol em sua composição.
A mudança deve movimentar o setor sucroenergético e aumentar a demanda pelo etanol produzido no país.
Por outro lado, a proposta também gera preocupação entre consumidores.
A principal dúvida é sobre os impactos da nova mistura no rendimento dos veículos e no bolso dos motoristas.
Com 32% de etanol, a gasolina ficará ainda mais próxima de um terço de álcool.
Para parte dos consumidores, a sensação é de que, aos poucos, os postos caminham para vender cada vez mais etanol com preço de gasolina.
Haja motor para aguentar isso.